quarta-feira, 3 de setembro de 2014

APENAS UMA TEORIA SOBRE A ESCRITA


O que venho tratar neste texto de hoje não se baseia em pesquisas científicas. O que pretendo analisar aqui é fruto da mais pura observação ao longo do tempo, portanto, não passa de uma opinião e nada além disso.

É muito comum verificarmos atualmente a dificuldade que as pessoas têm para escrever. E, neste ponto, não estou nem me referindo às regras gramaticais (que já estão praticamente em desuso com o advento do “internetês”). Refiro-me ao simples ato de transpor para o papel aquilo que ainda está na mente, independente do teor.

Durante muito tempo acreditei que a dificuldade da escrita era uma consequência lógica da falta de leitura. Essa foi uma certeza que me acompanhou por anos, até que eu conheci uma pessoa que devorava livros (inclusive me apresentando autores que eu não conhecia), mas que, mesmo assim, possuía uma dificuldade enorme para escrever.


Convivi com essa pessoa por muitos anos, o que me deu a oportunidade de entender melhor o processo da escrita e os fatores que realmente podem fazer dela uma tarefa tão árdua.

O primeiro ponto a ser observado é a formação da pessoa. Não exatamente sua formação “final”, mas a inicial. Quanto melhor a base de formação que o indivíduo tenha, maior sua facilidade para a escrita. E, aqui sim estou me referindo às questões de ortografia e gramática. Sem essa base, a dificuldade de aprendizado (até intuitivo) dessas regrinhas (chatas) da nossa língua fica ainda maior.

A segunda questão seria a leitura, mas como disse antes, esse é um fator que parece não ser decisivo no desenvolvimento da capacidade de escrita do indivíduo, apesar de ser de suma importância. O que percebi é que o aprendizado através da leitura depende muito mais das características pessoais do que da quantidade ou qualidade dos livros lidos. Aquelas pessoas que possuem facilidade para aprender através da leitura, terão suas habilidades desenvolvidas utilizando esse recurso. Aquelas que precisam de outros estímulos para aprender poderão ler dezenas de livros por mês, mas terão um desenvolvimento ínfimo se comparado ao grupo anterior.

Sendo assim, chegamos ao terceiro ponto, aquele que eu considero como fator essencial para definir o que realmente facilita ou dificulta o desenvolvimento da habilidade escrita: a forma de pensar.

A escrita nada mais é do que um pensamento codificado. Transcrevemos para o papel ou para o computador aquilo que antes perpassou nossas mentes. No entanto, para fazê-lo precisamos organizar o pensamento e é nesse ponto que vemos a maior dificuldade.

Antes de escrever o indivíduo precisa aprender a organizar aquilo que ele pensa. A dificuldade do pensar se reflete na dificuldade do expressar o que se pensa. A maioria das pessoas não consegue sequer explicar com clareza o que deseja. E essa falta de organização mental se reflete na forma como a pessoa escreve e, muitas vezes, até na estética da escrita.

Falta ou excesso de pontuação, escrita prolixa ou objetiva, textos sem estrutura, com frases longas demais ou curtas demais, são detalhes que podem nos informar sobre características pessoais daquele escreve. Às vezes, temos uma visão muito mais realista do perfil daquele indivíduo analisando sua forma de escrever do que analisando o conteúdo da sua escrita.

Acredito que praticar a escrita seja uma forma excelente de autoconhecimento e desenvolvimento do raciocínio. E vou além... acredito que seja também uma maneira de percebermos o quanto nos preocupamos com o outro. Aquele que procura adequar sua escrita de forma a facilitar a compreensão do leitor, demonstra respeito e consideração pelo receptor da mensagem. No entanto, aquele que acredita que o outro tem a “obrigação” de o entender e de o atender (caso seja uma solicitação), provavelmente não “perderá” seu tempo preocupando-se com clareza, estética e, até mesmo, educação.

Sendo assim, escrita, a meu ver, é o reflexo de quem somos, de como pensamos e de como nos relacionamos com o outro. Adquirir hábitos de leitura é sempre saudável e enriquecedor, mas adquirir o hábito do autoconhecimento e do autodesenvolvimento é fundamental.

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