domingo, 21 de setembro de 2014
“DECIDIR RACIONALMENTE PARA VIVER EMOCIONALMENTE”
O título deste texto foi retirado do livro Metacompetência de Eugênio Mussak. A frase chamou minha atenção, pois tenho tido a impressão de que tudo que lemos atualmente sobre desenvolvimento pessoal e profissional parece embasar-se na mesma premissa de que devemos ser acima de tudo seres racionais, capazes de “controlar” nossas emoções, a fim de obtermos resultados eficazes.
Essa idéia de deixar a razão assumir o controle de nossas atitudes sempre me assustou. Sempre me passou a impressão de que o mundo exigia que fôssemos robôs obedecendo a padrões pré-estabelecidos ditados por regras sociais, muitas vezes injustas, e que não levavam em conta a individualidade do ser.
No entanto, talvez essa interpretação (errônea) sobre a razão tenha sido justamente um mecanismo de defesa engendrado pelo meu cérebro a fim de manter comportamentos que já estavam estabelecidos, que eram conhecidos e que, por isso, traziam uma sensação maior de segurança.
O fato é que todo o nosso sistema egóico se rebela quando tentamos imprimir à força algum hábito novo. Pensando nisso, resolvi tentar interpretar a “teoria do homem racional” de uma forma diferente, substituindo o verbo “controlar” por “administrar” e, ao fazê-lo, um mundo novo surgiu à minha frente.
Pensa comigo... é muito mais fácil aceitar que devemos “administrar” nossas emoções do que pensar que devamos “controlá-las”, não é verdade?
Quando penso em controle de emoções, imagino logo uma camisa de força sendo colocada em meu interior, sufocando quem eu sou, o que penso e o que sinto. Imediatamente, vem a imagem de alguém que, por fora sorri, enquanto por dentro chora ou morre de raiva. Controlar não me parece uma atitude racional, mas sim impositiva, obrigatória e, consequentemente, não gera frutos positivos, pois é superficial. Lida somente com o exterior, sem tratar do interior.
Ao passo que quando uso a expressão “administrar emoções”, logo me imagino “gerindo” as emoções, ou seja, procurando formas de lidar com elas a fim de que produzam resultados satisfatórios, eficientes, eficazes. Pensar assim me faz sentir até carinho pela racionalidade, porque ser racional transforma-se em algo positivo que, ao invés de criar bloqueios, cria soluções.
Entender a ideia de Mussak ao afirmar que “devemos decidir racionalmente para vivermos emocionalmente”, é trazer para nós mesmos a responsabilidade pelos nossos atos, pois quem organiza, pensa e decide é o autor de sua história, enquanto quem simplesmente reage emocionalmente aos eventos que lhe ocorrem, acaba por tornar-se mero espectador de si mesmo.
Renato Russo, na música “Há tempos”, já dizia sabiamente que “disciplina é liberdade”. Parece contraditório que uma atitude que nos pede “regramento” seja justamente o agente de nossa liberdade. Mas é exatamente assim que funciona. É somente através da disciplina que conseguimos atingir nossas metas, conquistar nossos sonhos... e é somente conquistando a nós mesmos que podemos ser verdadeiramente livres.
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