"Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.
(...)
- Não quero saber do lirismo que não é libertação."
(Poética - Manuel Bandeira)
Todo mundo, com certeza, deve conhecer alguém que passa a vida inteira lembrando de alguma conquista ou de algo que fez há anos atrás. Desde aquela louça que lavou no Natal do ano passado e que o exime de lavar louças por mais dez anos, até aquela conquista profissional, aquele cliente importante com quem fechou contrato há meses ou o emprego que conseguiu há cinco anos depois de tanto esforço e dedicação.
No entanto, ao contrário dos tempos antigos em que era possível se viver de glórias e feitos do passado, atualmente é necessário que matemos um leão a cada dia. Isso se quisermos nos manter na média, pois se quisermos nos destacar, o número de leões abatidos diariamente deverá ser bem maior.
Somos exigidos, pressionados, cobrados constantemente. Somos medidos pelos resultados que geramos continuamente e não somente pelo resultado já gerado “em algum lugar do passado”.
Temos a sensação de que nada é suficiente, nada basta. Temos que dar sempre mais, fazer sempre melhor. E como não somos mais “glorificados” pelos resultados passados, a sensação de que não há reconhecimento pelos nossos “feitos” acaba gerando desmotivação, desânimo.
Vivemos correndo atrás de metas infinitas. Quando atingimos uma, logo nos é dada outra maior e mais difícil de ser alcançada. E assim, vamos nos sentindo sugados, esgotados, drenados energeticamente. E nessa rotina de auto-superação diária, muitos vão ficando para trás. Muitos se deixam levar pelas lamentações, pela necessidade de reconhecimento do que já passou e pela falta de estímulo para novas produções.
O diferencial nos tempos modernos está na capacidade do indivíduo de se automotivar. De buscar novos e melhores resultados de forma contínua, regular. A busca constante pelo crescimento pessoal e profissional é o que irá te destacar da multidão.
E aí, nesse quesito, não está só em jogo a formação do indivíduo, ou seja, não bastam os inúmeros títulos acadêmicos e os infindáveis eventos dos quais tenha participado. O desenvolvimento profissional EXIGE o crescimento pessoal. É preciso desenvolver nossas habilidades humanas. É obrigatório o desenvolvimento de uma maturidade emocional.
Somente essa busca pelo equilíbrio interior é que será capaz de nos ajudar a manter a motivação para enfrentar as pressões, as inconstâncias e incertezas do dia a dia.
E então, voltamos ao poema de Manuel Bandeira no início deste texto. É preciso mais que conhecimento, é preciso brilho no olhar. É preciso lirismo. Um lirismo libertador.
“Porque lirismo é a maneira apaixonada de sentir e de viver, geralmente manifestada por meio da poesia. Mas o lirismo também pode ser representado pelo entusiasmo, pelo ardor, pela motivação, pelo idealismo, qualidades do empreendedor, DAQUELE QUE MUDA O MUNDO, O MUNDO QUE O CIRCUNDA, A PARTIR DA MUDANÇA DE SEU MUNDO INTERIOR." (Eugênio Mussak)

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